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Aterro sobre solo mole em Tubarão: investigação, recalque e estabilidade

Tubarão tem sede a 21 m de altitude, e o enquadramento geológico regional aponta solo compressível nas partes baixas: aterro sobre argila mole em área de expansão urbana da planície. A verificação da legislação de Tubarão é parcial: o que foi lido está abaixo, com a fonte, e o que não foi lido está dito como tal.

Aterro sobre solo mole em Tubarão, na prática

Cota baixa e planície sedimentar: nível d’água raso é a regra, e a escavação para substituição trabalha abaixo dele. O que costuma comprometer obra na região: aterro sobre argila mole em área de expansão urbana da planície; convivência de risco de inundação com fundação em solo compressível. Investigação indicada no enquadramento regional: SPT com palheta em camada mole; adensamento para previsão de recalque; verificação de agressividade quando houver histórico de rejeito.

O que a legislação de Tubarão pede

O que o ato oficial diz

Portaria FMMA nº 036/2025 — conteúdo do estudo

“Identificação das áreas suscetíveis a riscos geotécnicos, como inundações e movimentos de massa (deslizamentos, queda de blocos, etc.).”

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Decreto nº 9.442/2026 — REURB — hipótese de indeferimento

“nos casos de REURB em que parte significativa da área a ser regularizada tenha riscos geotécnicos, de inundações ou outros riscos especificados em lei, sem apresentação de termo de compromisso que estabeleça os responsáveis pela apresentação de estudos técnicos, execução de obras.”

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O que dispara a exigência

  • REURB em área com riscos geotécnicos — termo de compromisso e estudos técnicos
  • Estudo ambiental de REURB: identificação de áreas suscetíveis a riscos geotécnicos

Leitura técnica

Não conseguimos ler o texto integral da LC nº 085/2013 (Código de Obras) em fonte pública acessível. O que está confirmado em Tubarão é a porta da REURB e do licenciamento ambiental — relevante em um município de planície do rio Tubarão com histórico de inundação.

O terreno de Tubarão em números

Malha SRTM 30 m, 9×9 pontos a cada 600 m, centrada na sede
IndicadorValorO que significa
Altitude da sede21 mplanície costeira e baixadas
Cotas no entorno2 a 71 mfaixa altimétrica num raio de 2,4 km
Amplitude de relevo69 menergia de relevo moderada
Distância da nossa base251 kmde São Bento do Sul, em linha reta

Relevo de transição: núcleo urbano em cota baixa com elevações no entorno. Convivem os dois problemas — compressibilidade na parte baixa e estabilidade na expansão em meia-encosta.

Cota baixa significa nível d'água raso e, com frequência, sedimento quaternário flúvio-marinho. Nesse contexto o número que decide o projeto não é o N do SPT: é o coeficiente de adensamento e a tensão de pré-adensamento da camada mole, que só saem de amostra indeformada. Escavação abaixo do lençol pede verificação de estabilidade de parede e controle de carreamento de finos.

O que isso muda na campanha

  • A campanha muda conforme o setor do município: na parte baixa, compressibilidade; na expansão em encosta, resistência e poropressão.
  • Locação de furos distribuída, não concentrada: a variação lateral do impenetrável é o dado que define o tipo de fundação.
  • Corte para implantação em meia-encosta costuma ultrapassar os limiares municipais de altura sem que o projeto perceba.

Vale conferir antes de terraplenar se o município tem gatilho de altura de corte — há limiares de 1,00 m, 3,00 m e 4,00 m em vigor em Santa Catarina.

Limite deste dado

Indicador regional de relevo, derivado de modelo digital de elevação SRTM de 30 m. Não é declividade de lote e não serve para aferir gatilho legal: os 30% da Lei nº 6.766/1979, os 46,6% de São Bento do Sul e os 100% de Brusque só se medem em levantamento planialtimétrico do terreno. Aqui serve para antecipar o tipo de problema e dimensionar a campanha — não para concluir nada sobre o seu lote.

O problema geotécnico real da região de Tubarão

Unidade geológica dominante: Planície do rio Tubarão e Formação Rio Bonito, sul catarinense (microrregião de Tubarão, mesorregião Sul Catarinense).

Aluviões argilo-arenosos e argila mole em planície de inundação; a oeste, rochas sedimentares paleozoicas com relevo ondulado.

O que costuma comprometer obra aqui

  • Aterro sobre argila mole em área de expansão urbana da planície
  • Convivência de risco de inundação com fundação em solo compressível
  • Passivo de mineração de carvão em parte da região

Investigação que responde a isso

SPT com palheta em camada mole; adensamento para previsão de recalque; verificação de agressividade quando houver histórico de rejeito.

Enquadramento geológico regional. Caracterização do terreno específico só sai de investigação no local — não existe laudo por analogia regional.

Critérios de projeto — Norma DNIT 381/2022-PRO

A Norma DNIT 381/2022-PRO (“Projeto de aterros sobre solos moles para obras viárias”, revisão da DNER-PRO 381/98) é norma para obra rodoviária. Para loteamento, galpão e edificação, não é obrigação legal — é a referência técnica brasileira mais completa sobre o tema, e é o que usamos como critério quando nenhuma outra norma define. A fundação da edificação segue a ABNT NBR 6122:2019 (Emenda 1:2022).

Fatores de segurança mínimos — DNIT 381/2022-PRO, Tabela 1
VerificaçãoFS mínimoParâmetro de resistência
Período construtivo1,2Não drenado (Su) na argila mole
Final de construção1,3Não drenado (Su)
Longo prazo1,5Drenado
Rebaixamento rápido (quando houver)1,3

Método mínimo: equilíbrio limite (Bishop simplificado, Spencer ou Morgenstern-Price), pesquisando superfícies circulares e não circulares. Recalque residual máximo em aterro junto a estrutura rígida (Classe I): 2 cm em 10 anos e 5 cm em 25 anos (Tabelas 2 e 3). Sobrecarga de cálculo: 10 kPa no período construtivo, 20 kPa no operacional (item 4.3.4).

Investigação que a norma pede — e a designação correta de cada ensaio

Ensaios para aterro sobre solo mole
EnsaioReferênciaO que entrega
Sondagem SPTABNT NBR 6484:2020Perfil, NA, base da camada mole (NSPT > 10 como marcador, DNIT 381 item 5.4.2.1)
Piezocone (CPTu) com dissipaçãoASTM D 3441 (adotada pela DNIT 381); ISO 22476-1. A NBR 12069 foi cancelada em 2015Estratigrafia contínua, lentes drenantes, estimativa de Su, OCR e ch
Palheta (vane) tipo AABNT NBR 10905:1989Su de pico e amolgado, sensibilidade — corrigido por Bjerrum para estabilidade
Amostragem indeformada (Shelby / pistão estacionário, Ø ≥ 100 mm)ABNT NBR 9820:1997Amostra para laboratório — qualidade verificada antes de usar
Adensamento unidimensionalABNT NBR 16853:2020σ′vm, OCR, Cc, Cr, cv — magnitude e prazo do recalque

Frequência mínima na fase preliminar (DNIT 381, item 5.4.2.2): 3 furos por trecho de solo mole e espaçamento médio não superior a 100 m, locados também por critério geológico — meandro antigo, depressão, borda de várzea. Profundidade: atravessar toda a camada compressível, inclusive quando intercalada por areia. Para obra que não é viária, a quantidade e a profundidade dos furos da edificação continuam na ABNT NBR 8036:1983.

Soluções — e quando cada uma cabe

  • Substituição total: indicada para depósito pouco extenso, usualmente menor que 200 m e espessura inferior a 3 m (DNIT 381, item 6.1). Exige verificar a estabilidade da cava abaixo do NA.
  • Substituição parcial: não elimina o problema; exige estudo de estabilidade e estimativa de recalque da camada remanescente.
  • Berma de equilíbrio e construção por etapas — ganho de resistência com o adensamento, prazo longo.
  • Sobrecarga temporária com geodreno vertical — espaçamento mínimo de 0,9 m entre drenos, definido a partir da dissipação do CPTu (item 6.3.3).
  • Aterro reforçado com geossintético (Norma DNIT 380/2022-PRO), colunas (brita, encamisadas, DSM, jet grouting), aterro leve e aterro estaqueado.

Obra com sobrecarga ou tratamento precisa de instrumentação: no mínimo 3 placas de recalque por seção instrumentada (item 7.3), com leitura diária durante o lançamento. A retirada da sobrecarga se decide pelos dados — método de Asaoka, não pelo calendário.

O que o laudo ou projeto precisa conter

  • Perfil geotécnico com espessura da camada mole em cada ponto investigado, não uma espessura “média”.
  • Parâmetros com origem: Su de palheta ou CPTu calibrado; compressibilidade de ensaio de adensamento em amostra de qualidade verificada.
  • Recalque primário e secundário previstos, cota final e tempo de estabilização.
  • Verificação de estabilidade por etapa, com os FS da tabela acima e a altura crítica de lançamento.
  • Solução escolhida e por quê — e, em fundação profunda que atravessa camada em adensamento, o atrito negativo (NBR 6122).
  • Plano de instrumentação quando houver sobrecarga, dreno ou construção por etapas; ART.

Leitura aprofundada em Solo mole e recalque diferencial: o que o projeto tem que demonstrar.

Perguntas frequentes

Como saber se o terreno em Tubarão tem solo mole?

O enquadramento regional de Tubarão indica aterro sobre argila mole em área de expansão urbana da planície, mas a confirmação só existe no lote: SPT com N igual a zero ou avanço por peso de ferramenta identifica a camada; CPTu define espessura e lentes; palheta mede Su.

Qual o fator de segurança mínimo de aterro sobre solo mole?

Pela Norma DNIT 381/2022-PRO: 1,2 no período construtivo, 1,3 no final de construção e 1,5 a longo prazo. É norma de obra viária; fora dela, é a referência técnica usada como critério — declarada como tal no laudo.

Quanto tempo o aterro leva para estabilizar?

Não existe número regional defensável. O prazo depende do coeficiente de adensamento, da espessura e da distância de drenagem — sai do ensaio de adensamento (NBR 16853:2020) e da dissipação do CPTu. Sem esses dados, qualquer prazo é estimativa sem base.

Substituir o solo mole resolve?

Só em depósito pouco extenso e raso — a DNIT 381/2022 cita, usualmente, menos de 200 m e menos de 3 m de espessura. Substituição parcial mantém argila compressível embaixo e exige estudo de estabilidade e de recalque da camada remanescente.

Aterro sobre solo mole em municípios próximos

Visão geral do município: Laudo geotécnico em Tubarão.

Aterro sobre solo mole em Tubarão: precisa de laudo?

Mande a exigência que recebeu e a localização do lote. Devolvemos o escopo mínimo de investigação e análise que atende.

Falar no WhatsApp +55 47 98867-0043

Responsável técnico: Alex Rafael Niepiçuy — CREA 199031-9 SC